“Há uma vantagem económica em se promover a sustentabilidade”, entende. “Ainda que a preocupação com o planeta e as preocupações sociais estejam no topo da nossa agenda, há também um benefício económico em fazer bem as coisas, em combater o desperdício, não apenas alimentar mas em todas as frentes”, observa.
No grupo, a sustentabilidade relaciona-se com a introdução na oferta de alternativas que promovam estilos de alimentação e de vida mais saudáveis – é o caso da “grande aposta na dieta mediterrânica, nas sopas, maior consumo de vegetais, e nas quartas gamas” – e com os processos produtivos, sendo os mais sustentáveis aqueles em que há menos desperdícios (de água, energia, uso da terra) e são mais eficientes.
O lançamento do manual de agricultura sustentável da Jerónimo Martins representa, no seu entender, um avanço neste domínio, estando já em prática em mais de 40 produções agrícolas de produtores do retalhista. “Procuramos trabalhar com os produtores de forma a ajudá-los para que também as produções deles sejam mais sustentáveis e por isso também mais rentáveis”, adianta.
O desperdício de plástico é outras das questões mais prementes quando o tema é consumo sustentável. “Não é uma questão nova para nós”, afirma. “O Pingo foi pioneiro, há mais de dez anos, a começar a cobrar o saco plástico, num movimento que na altura foi bastante impopular, porque as pessoas estavam habituadas ao saco gratuito”. “Apesar de ser uma pequeníssima quantia foi a forma que o Pingo Doce teve de sinalizar às centenas de milhares de consumidores que tem diariamente a entrar nas suas lojas que é preciso racionalizar o uso do plástico e que é preciso mudar a atitude de descartabilidade dos produtos de plástico”, acrescenta. Até porque “o plástico foi desenhado enquanto material para durar”.
Sara Miranda assegura, pois, que “o Pingo Doce tem no topo da sua agenda o combate ao plástico desnecessário e a tentativa de combater o uso de plástico de utilização única”. Nesse sentido convergem várias iniciativas do grupo, como a promoção de máquinas de reenchimento de garrafas e a não existência de loiça descartável nas cafetarias. Além disso, a partir de janeiro, o Pingo Doce vai substituir o saco de plástico por um saco que é feito de 80% de plástico reciclado pós-consumo. “Isto é muito importante, porque é uma forma de garantirmos que não estamos a pôr plástico novo no mercado, que não estamos a contribuir do lado da produção para aumentar o problema”.
A diretora de comunicação e responsabilidade corporativa entende que é necessário sobretudo bom-senso na gestão de equilíbrios quando a decisão é entre aumentar desperdício alimentar para não utilizar plástico, ou aumentar o uso de plástico para evitar o desperdício alimentar, “sabendo que o plástico ajuda a conter e preservar”.
“Ao declararmos uma guerra ao plástico como inimigo público número um, vamos ter que aumentar a pressão sobre outros materiais, como o vidro e o cartão, e vamos gerar desequilíbrios noutras fontes”, salienta. “A gestão da sustentabilidade é muito uma gestão de equilíbrios, que são muito dinâmicos e frágeis e por isso é preciso muita informação, sendo que há um enorme trabalho que pode ser feito no combate ao plástico de utilização única e desnecessário”, conclui.
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